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Coles Trovar e reinar: As cantigas galego-portuguesas e o poder político em Portugal - Séculos XIII e XIV at Village Green Shopping Centre in Vernon, BC
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Ao invés de compreender as cantigas como mera expressão estética ou reflexo passivo da política, este livro propõe interpretá-las como atos performáticos inscritos na cultura jurídico-política da corte medieval. Tomando como eixo o reinado de D. Dinis (1279 – 1325), a obra explora como a performance régia, em sua dupla mediação sonoro-verbal, não apenas canta o amor ou a sátira, mas mobiliza categorias estruturantes da sociedade do século XIII e XIV: justiça, honra, fidelidade, serviço e benefício. Em performance, a cantiga torna-se reconhecimento e disputa, publicidade e legitimação. Ao articular retórica trovadoresca, linguagem jurídica e o modelo ideológico que normatiza a sociedade medieval, o livro questiona leituras teleológicas que projetam sobre a Idade Média paradigmas do Estado moderno. Longe de se realizar de forma monopolista, o poder emerge de uma política pluralista, na qual monarquia e aristocracia governam em negociação. Trovar, nesse contexto, não é ornamento da realeza. É exercício institucional. É gesto jurídico. É ato de Estado. Porque, na corte medieval, cantar era uma forma de ordenar o mundo; e, portanto, trovar significa, também, reinar.
Ao invés de compreender as cantigas como mera expressão estética ou reflexo passivo da política, este livro propõe interpretá-las como atos performáticos inscritos na cultura jurídico-política da corte medieval. Tomando como eixo o reinado de D. Dinis (1279 – 1325), a obra explora como a performance régia, em sua dupla mediação sonoro-verbal, não apenas canta o amor ou a sátira, mas mobiliza categorias estruturantes da sociedade do século XIII e XIV: justiça, honra, fidelidade, serviço e benefício. Em performance, a cantiga torna-se reconhecimento e disputa, publicidade e legitimação. Ao articular retórica trovadoresca, linguagem jurídica e o modelo ideológico que normatiza a sociedade medieval, o livro questiona leituras teleológicas que projetam sobre a Idade Média paradigmas do Estado moderno. Longe de se realizar de forma monopolista, o poder emerge de uma política pluralista, na qual monarquia e aristocracia governam em negociação. Trovar, nesse contexto, não é ornamento da realeza. É exercício institucional. É gesto jurídico. É ato de Estado. Porque, na corte medieval, cantar era uma forma de ordenar o mundo; e, portanto, trovar significa, também, reinar.
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